A BMW Motorrad invadiu o território das trezentinhas. E o que isso significa? Por enquanto, não muita coisa. Durante o lançamento da inédita G 310 R no Haras Tuiuti, no interior de São Paulo, a companhia fez questão de ser cautelosa ao falar sobre seus planos com a motinho: “vamos priorizar qualidade em vez de volume” e “precisamos entender como será a reação desse mercado” eram os mantras repetidos pelos executivos.

BMW G 310 R

A julgar pela expectativa da BMW com a pré-venda da moto, a confiança da marca está lá em cima. Em três semanas, as 100 unidades disponíveis para a compra antecipada foram vendidas. Mas o detalhe é que a maioria dos interessados já eram proprietários de Motorrad. Ou seja, não será tão fácil convencer o público novo que os bávaros buscam a pagar R$ 21.900 numa 300 cc. A galera que segue a @revistafullpower deixou isso bem claro nesta quarta-feira (9) comentando, de modo praticamente unânime, que esse preço é bem salgado.

BMW G 310 R

Custando R$ 21.900, a G 310 R está posicionada acima dos seus três principais concorrentes: Yamaha MT-03 (R$ 21.190, na versão com ABS), KTM Duke 390 (R$ 21.290) e Kawazaki Z300 (R$ 20.890, com ABS). Assim como a KTM, a G 310 R já conta com freios ABS de série e garfo invertido na suspensão dianteira (140 mm de extensão e 131 mm atrás). Acabamento mais caprichado, quadro de instrumentos digital e com iluminação de LED e amortecedor traseiro com pré-carga ajustável são outros destaques do pacote único oferecido pela BMW.

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Além de ser completa, outro argumento utilizado pela BMW para conquistar os consumidores é o motor. O monocilíndrico de 313 cm³ é bastante tecnológico. Arrefecido por líquido, ele conta com duplo comando de válvulas (quatro ao total), sistemas de troca de calor entre óleo e água, mecanismo para facilitar partidas a frio e cárter seco. O que de fato faz diferença na dinâmica da moto é a posição quase contrária do caneco, que, segundo os engenheiros da marca, possibilita explorar melhor a curva de torque em baixa, compacta o espaço ocupado pelo bloco, melhora o centro de gravidade e contribui para um melhor fluxo do sistema de exaustão.

BMW G 310 R

Este motor gera 34 cv de potência a 9.200 rpm e 2,8 kgfm de torque a 7.500 rpm. No papel, ele não impressiona tanto, já que os rivais citados ali são todos mais potentes e torcudos, com motores mais elásticos. Mas é bom não subestimar a G 310 R. Por causa da posição do motor, a balança feita de alumínio tem bom comprimento de 605 mm, e o chassi tubular com quadro aparafusado atrás tratam de entregar o nível de ciclística esperado para um modelo da Motorrad.

BMW G 310 R

Ficamos rodando por 25 minutos com a moto na pista do Haras Tuiuti e a pilotagem foi bem prazerosa. O acelerador com respostas rápidas permite uma tocada bem ágil e a entrega de potência é linear. Pode ser que você sinta falta de mais punch para guiar na cidade, mas essa característica mais domável da BMW a torna uma moto muito fácil de manusear e, sinceramente, mais amigável para conviver no dia a dia.

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O peso de 158 kg, que só não é tão bom quanto o da Duke, facilita ainda mais a condução da naked. Ela se deixa inclinar bem nas curvas, aumentando o prazer de pilotar mais agressivamente. O banco de 785 mm de altura é confortável e a posição de guiar é adequada até para os baixos, como eu. Mas há outras duas opções de assento: um mais baixo e outro com uma espuma mais grossa, indicado para viagens ou pessoas mais altas.

BMW G 310 R

Como a pista do Haras é travadinha, não dava para colocar a G 310 R em seu limite. Jogávamos uma quinta marcha, no máximo (são seis ao total). Mas o corte de giro em 10.800 rpm evidencia a menor elasticidade do motor em comparação às rivais. Ela ascende bem lá em cima, mas o câmbio logo exige uma marcha a mais. Nessa situação, o ronco que acompanha a tocada é bem estridente, mas pra gente aqui não tem como não querer um som mais grave, invocado, que cairia bem na naked.

BMW G 310 R

Na hora de tancar nos freios, nenhuma surpresa: os discos simples (3oo mm no dianteiro, com quatro pistões, e 240 mm no traseiro) com o sistema ABS dão conta do recado. O do pé tem ótima sensibilidade e ao menor toque já equilibra a moto para o piloto alicatar no dianteiro e frear sem qualquer susto.

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Nós não tivemos oportunidade de guiar a novidade na cidade, mas julgando pela largura da carenagem e do guidão e espelhos, eu não me surpreenderia se ela tivesse dificuldade para enfrentar corredores. Ela é claramente mais larga que a Duke e a MT-03 e isso pode ser uma inconveniência chatinha para a vida urbana.

BMW G 310 R

Se mesmo depois de guiar a moto e curtir a pilotagem leve e pegada progressiva do motor você ainda estiver com receio de gastar os quase R$ 22 mil nela, a BMW reserva um último argumento para tentar te convencer. Durante a apresentação, os executivos mostraram uma tabela com cinco concorrentes da G 310 R descriminando os custos de manutenção de cada uma delas até os 40 mil km, garantindo que tudo foi pesquisado no mercado, diretamente com as concessionárias rivais. O resultado: a naked da Motorrad custa cerca de 10 centavos por km rodado para manter até os 40 mil km, o que lhe rende a segunda manutenção mais barata do segmento.

BMW G 310 R

A BMW G 310 R certamente cumpre com os requisitos de ciclística e desempenho esperadas para uma moto da marca. A construção leve e o nível de tecnologia embarcada até justificam o preço um pouco elevado em relação às rivais, considerando nossa realidade aqui no Brasil. Mas moto a gente sabe como é…depende muito do estilo do interessado. Se você quer algo mais bruto, com mais punch, talvez a MT-03 ou até a própria Duke sejam mais indicadas. Mas se a preferência é por uma moto mais versátil, progressiva e confortável, sem abrir mão de boa dose de diversão ao guidão, a trezentinhas da Motorrad pode ser sua porta de entrada para o mundo premium das motos.

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