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Técnica Sonda Lambda
Cavalos saudáveis

A sonda lambda é uma poderosa “ferramenta” para acertar a mistura ar/combustível e extrair uns cavalos extras do motor


A válvula de admissão foi aberta pelo comando de válvulas: inicia-se a aspiração de ar da atmosfera para dentro do motor. Misturado com combustível, este ar, que contém em média 20% de oxigênio (O2), é admitido pelo cilindro. Essa mistura de comburente (oxigênio) e combustível (injetado por meio de carburador ou bico injetor) torna o cenário perfeito para uma grande explosão no cilindro e, conseqüentemente, cavalos à solta no asfalto.

O grande “X” da questão é saber acertar “na mosca” a mistura de ar e combustível a ser queimada. Muito oxigênio e pouco combustível destroem o motor... O excesso de combustível, por sua vez, pode matar seus cavalos, literalmente, afogados.

Uma das mais poderosas e populares ferramentas para acertar a mistura e tirar mais cavalaria do cofre é a sonda lambda. O componente é instalado no tubo de escape e detecta a quantidade de oxigênio na mistura queimada.

Onde seus cavalos entram nessa história? O excesso de oxigênio no escape é sinal de que era necessário mais combustível para queimar todo comburente admitido, ou seja, houve ar não aproveitado. Por outro lado, a ausência de oxigênio no escape aponta excesso de combustível na mistura.


A sonda de banda larga mais popular por aqui é a Bosch LSU 4.2

Uma sonda de banda estreita, como a que é encontrada na maioria dos carros de passeio, emite sinais de 0 a 1 000 mV (milivolt). Quando a mistura ar/combustível está estequiométrica — este é o termo que determina a proporção ideal de oxigênio e combustível — a sonda emite sinais próximos a 600 mV. Valores abaixo disso indicam uma mistura “magra” ou “pobre” em combustível. Do contrário, acima de 600 mV, fica caracterizado excesso de combustível, mistura “gorda” ou “rica”.

Em uma injeção eletrônica original, por exemplo, quando a sonda emite sinais abaixo de 400 mV a central ordena o aumento de combustível, posteriormente suspenso após a sonda emitir valores acima de 800 mV. Este ciclo constante de “engorda e emagrece” é o que faz esse mundo de motores rodar dias e noites com perfeição, sempre com queimas “limpinhas”.

Propulsores modificados funcionam com um “excesso não prejudicial” e proposital visando o arrefecimento do cilindro e a elevação de densidade do ar admitido.
O problema é que uma sonda de banda estreita só informa que esta mistura de alto rendimento será “algo próximo a 900 mV”. Observe o gráfico “Curva de sonda estreita” na última página para entender esta “imprecisa” resposta. Na vertical está o valor em mV emitido conforme a situação da mistura, representada pelo lambda (λ) no eixo horizontal. Lambda igual a 1 indica mistura estequiométrica; abaixo de 0,99, excesso de combustível; acima de 1,01, falta de combustível. Misturas “potentes” normalmente resultam em λ abaixo de 0,9. Note na curva da sonda estreita que qualquer valor de mistura abaixo de 0,9 vai emitir uma mesma tensão, um mesmo valor. Ou seja: seus cavalos podem estar bem alimentados ou terrivelmente gordos e esta sonda não indicará. Passando dados imprecisos ao instrumento de leitura — multímetro ou hallmeter.


Multímetros conectados a sondas lambda “narrow”

Para quem procura calibrar com perfeição uma “mistura potente”, existem sondas de banda larga (wide band). Este equipamento pode detectar precisamente o valor λ da mistura. Os usuários dessa tecnologia discutem a mistura sempre em λ. Vá se acostumando e esqueça o tal de mV.

O grande inconveniente é o preço. Enquanto um conjunto de monitor convencional com sonda de banda estreita pode ser montado por pouco mais de R$ 200, um sistema de monitoramento “wide band” importado ultrapassa os R$ 2 mil e o único fabricante nacional, a FuelTech, comercializa a sonda e o módulo com display digital por R$ 900.

Somado ao equipamento de ponta, é preciso valer-se sempre do bom senso. Comece o acerto com uma mistura rica e emagreça aos poucos. Não saia correndo feito louco em busca da tal λ ideal. Mantenha seus cavalos fortes, mas mas nunca com sede!