Peças de performance de alto custo e exóticas são importantes ou, dependendo do nível de rendimento do propulsor, imprescindíveis para a sobrevida de um motor preparado. Porém, há um “pequeno problema”: se você compra uma biela forjada, por exemplo, ela não “salta” sozinha para dentro do motor. Qualquer componente precisa ser montado e este trabalho exige cuidados especiais!
Ferramental de precisão e mão-de-obra qualificada são essenciais para um amontoado de peças ser transformado em um propulsor potente e, claro, durável.
Este processo começa pela retífica escolhida para realizar as usinagens e ajustes exigidos por um motor modificado. Pistões forjados geralmente operam com folgas de cilindros diferenciadas. Muitos anéis de segmento só assentam e vedam corretamente com brunimento extremamente fino, fora do padrão de uma retífica comum. E o mais importante: todos os ajustes e folgas devem ser precisos. “Motor preparado que entra aqui tem tratamento diferenciado. Da troca de idéias com o preparador, passando pela limpeza e polimento, todos os processos recebem atenção redobrada”, explica Jéferson Nespoli, gerente da Removel, retífica de Santo André (SP).
Uma prática pouco utilizada há alguns anos, finalmente conquistou preparadores: o alívio de massa rotativa, como volante de motor e virabrequim. Um propulsor com estes componentes mais leves “sobe de giro” mais rápido e tem redução de perdas mecânicas. Mas não se empolgue, em preparação tudo tem seu preço. A contrapartida é a dificuldade de manter o motor em marcha-lenta e de tirar o carro da inércia.
Depois da retífica é preciso balancear o conjunto rotativo — virabrequim com sua polia e engrenagem, volante do motor, e platô de embreagem — e equalizar o peso de bielas, pistões e seus pinos. Nem sempre estas medidas rendem cavalos extras, porém promovem o equilíbrio de forças entre os cilindros. É o preço a ser pago (por volta de R$ 120) pela tranqüilidade e segurança de se ter uma máquina com o funcionamento correto.
Agora que todos os componentes estão usinados, retificados, aliviados, balanceados, equalizados... Hora de montar o motor, certo? Claro que não. Hora de limpá-lo. E muito bem! Os “graxeiros” que nos desculpem, mas limpeza é fundamental. Mesmo depois de ter passado por tratamento químico na retífica é preciso limpar cada canto, cada canal de lubrificação e passagem de água. Motores limpos duram e rendem mais. No processo de montagem, é a limpeza perfeita de cada componente que permitirá a conferência de folgas e tolerâncias.
Conferir? Claro, a responsabilidade pela montagem de um motor é do preparador e não da retífica. Não é questão de desconfiança e sim de procedimento, de padrão. Se você busca desempenho com segurança e confiabilidade este é o único caminho a ser seguido, o do profissionalismo. Afinal, como já foi dito, suas peças não “pulam” sozinhas para dentro do motor.