Fotos Fábio Arantes


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Técnica retífica
Longa vida

Técnica e cuidado na montagem de um motor de performance são primordiais para manter altos níveis de rendimento e confiabilidade


Peças de performance de alto custo e exóticas são importantes ou, dependendo do nível de rendimento do propulsor, imprescindíveis para a sobrevida de um motor preparado. Porém, há um “pequeno problema”: se você compra uma biela forjada, por exemplo, ela não “salta” sozinha para dentro do motor. Qualquer componente precisa ser montado e este trabalho exige cuidados especiais!
Ferramental de precisão e mão-de-obra qualificada são essenciais para um amontoado de peças ser transformado em um propulsor potente e, claro, durável.


Conjunto rotativo em balanceamento

Este processo começa pela retífica escolhida para realizar as usinagens e ajustes exigidos por um motor modificado. Pistões forjados geralmente operam com folgas de cilindros diferenciadas. Muitos anéis de segmento só assentam e vedam corretamente com brunimento extremamente fino, fora do padrão de uma retífica comum. E o mais importante: todos os ajustes e folgas devem ser precisos. “Motor preparado que entra aqui tem tratamento diferenciado. Da troca de idéias com o preparador, passando pela limpeza e polimento, todos os processos recebem atenção redobrada”, explica Jéferson Nespoli, gerente da Removel, retífica de Santo André (SP).


Lubrificante especial:
montagem sem susto

Uma prática pouco utilizada há alguns anos, finalmente conquistou preparadores: o alívio de massa rotativa, como volante de motor e virabrequim. Um propulsor com estes componentes mais leves “sobe de giro” mais rápido e tem redução de perdas mecânicas. Mas não se empolgue, em preparação tudo tem seu preço. A contrapartida é a dificuldade de manter o motor em marcha-lenta e de tirar o carro da inércia.

Depois da retífica é preciso balancear o conjunto rotativo — virabrequim com sua polia e engrenagem, volante do motor, e platô de embreagem — e equalizar o peso de bielas, pistões e seus pinos. Nem sempre estas medidas rendem cavalos extras, porém promovem o equilíbrio de forças entre os cilindros. É o preço a ser pago (por volta de R$ 120) pela tranqüilidade e segurança de se ter uma máquina com o funcionamento correto.


Conhecimento de metrologia é essencial

Agora que todos os componentes estão usinados, retificados, aliviados, balanceados, equalizados... Hora de montar o motor, certo? Claro que não. Hora de limpá-lo. E muito bem! Os “graxeiros” que nos desculpem, mas limpeza é fundamental. Mesmo depois de ter passado por tratamento químico na retífica é preciso limpar cada canto, cada canal de lubrificação e passagem de água. Motores limpos duram e rendem mais. No processo de montagem, é a limpeza perfeita de cada componente que permitirá a conferência de folgas e tolerâncias.

Conferir? Claro, a responsabilidade pela montagem de um motor é do preparador e não da retífica. Não é questão de desconfiança e sim de procedimento, de padrão. Se você busca desempenho com segurança e confiabilidade este é o único caminho a ser seguido, o do profissionalismo. Afinal, como já foi dito, suas peças não “pulam” sozinhas para dentro do motor.