Quer desenvolver um motor como montadoras e equipes de competição de ponta? Pois use (e abuse) de um dinamômetro, o equipamento que mede potência e torque do motor.
Basicamente, existem dois tipos de dinos: o de motor, também conhecido como “de bancada”, capaz de indicar a potência gerada no virabrequim, e o de chassi, popularmente chamado de “dino de rolo”, que mede a potência nas rodas do carro.
Os números gerados pelos dois modelos variam justamente devido ao tipo de medição. Enquanto a potência medida no “vira” é pura — o que tem de cavalos e torque aparece e ponto final —, a leitura nas rodas é sempre menor, pois há perdas mecânicas provocadas pelo atrito gerado por componentes da transmissão e pelas rodas em contato com os rolos. Alguns dinamômetros de chassi empregam fatores de correção que convertem as perdas durante a desaceleração.
Um dino de bancada é extremamente eficaz na busca pelo desenvolvimento de um motor, tanto que continua indispensável para fábricas e equipes. Nele é possível monitorar praticamente todos os parâmetros de funcionamento de um propulsor e simular condições climáticas e de carga. Porém, o processo de instalação é complexo. Motor, sistema de alimentação, ignição e, se possível, o escape completo, devem ser removidos do carro e instalados na bancada. Procedimento custoso e, nos carros modernos, com sistemas de injeção sofisticados e repletos de sensores, bem difícil e trabalhoso.
Drive-Thru
Nos dinos de chassi, tudo fica mais fácil: basta colocar o carro nos rolos, amarrá-lo com cintas que agüentam toneladas e começar a medição. É tão simples quanto passar no Drive-thru de uma lanchonete para pegar um sanduíche.
A popularização deste tipo de equipamento começou há pouco mais de seis anos. Ocorreu devido ao lançamento de dinos com rolos independentes, que mantêm carros potentes estabilizados, e programas de operação acessíveis. Porém, a operação simplificada não significa que este tipo de dinamômetro é menos eficiente.
Bruno Herrera, da preparadora paulistana Herrera Motorsports e dono de “rolos” Bosch, comenta: “A facilidade de operação de um dino de chassi não significa medições imprecisas. Ele apenas gera resultados diferentes, quando comparado aos de bancada. Seja qual for o tipo de equipamento utilizado, é preciso encará-lo como uma ferramenta capaz de indicar se você está no caminho certo.”
Alexandre “Xande” Silva, da Espaço Motor, recordista de potência dos VW turbinados no Dynojet (veja a seção News desta edição), completa: “Apesar de parecer importante, apenas o número de cavalos em si não reflete nada. Quando meço meu Gol de arrancada, só quero saber se estou evoluindo, não se vou quebrar determinado recorde de potência.”
Bruno e Xande estão cobertos de razão. Para quem não tinha acesso a um dino no passado, um gráfico de medição representa um verdadeiro “mapa do tesouro” de um motor modificado. Apesar de comentados nas rodinhas de entusiastas ou nos fóruns da internet, os tão populares e difundidos números de torque e potência máximos quase sempre têm pouquíssima utilidade prática.
Se você duvida, basta conferir alguns dos vencedores das provas de arrancada: a maioria tem menos cavalos (às vezes, 200 cv a menos) que o “campeão do dino”, aquele 14º colocado da última prova. Claro que cavalos e quilos de torque são importantes, mas em uma faixa da curva do motor que seja utilizável. De nada adianta ter 1 000 cv das 9 200 rpm até as 9 500 rpm se seu motor só funciona até as 8 200 rpm, nas quais rende 314 cv.
Um carro bom deve entregar força em uma faixa de funcionamento utilizável. Se for um “girador”, a exemplo do “campeão do dino” do parágrafo anterior, será preciso definir uma combinação quase mágica de fatores. Esta fórmula inclui comando de válvulas, cilindrada, turbo... Tudo para manter o torque abaixo do limite de rpm e a potência próxima (e não acima) deste índice.
Se todos estes fatores combinarem, ainda há margem para desenvolvimento: dá para analisar se a relação de câmbio está correta e em quais rotações serão efetuadas as trocas de cada marcha.
Até categorias de automobilismo com enormes limitações no regulamento, como a Nascar gringa e Stock Car nacional, empregam dinos de chassi. Nestas modalidades, onde os motores utilizam restritores na admissão, limitando a potência pelo volume de ar admitido, a redução de perdas mecânicas é fundamental. Um preparador da Stock, que prefere não ser identificado, comentou que é possível “achar” 5 cv nas rodas com o alinhamento de cardã e mais 5 cv com a mera substituição do óleo de câmbio!
Captou? A combinação de preparador experiente e um dino bem utilizado rendem grandes benefícios, independente da quantidade de equipamentos utilizados ou do dinheiro investido.