Fotos Fabio Arantes/Divulgação

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Técnica segurança
Corpo fechado

Seu carro foi montado apenas para passar em uma vistoria técnica? Cuidado, segurança e integridade física devem estar acima de tudo


A imagem impressionante da abertura desta matéria foi o mais recente acidente — dia 10 de fevereiro — em uma das categorias de ponta da arrancada americana: a Funny Car, da NHRA. Logo depois da marca dos 201 metros, o motor queimador de nitrometano do Chevy Impala, do bicampeão Tony Pedregon, explodiu.

Pedregon tentou abrir os pára-quedas, mas foram queimados durante a explosão. Acionou os freios do bólido e bateu no muro de contenção a mais de 460 km/h! Depois de mais duas colisões e uma rodada, o carro parou e o piloto saiu andando dos destroços (que segundos antes eram um Funny), apenas com queimaduras de segundo grau na mão direita!

O que há alguns anos poderia ter sido uma fatalidade, tornou-se um incidente de proporções mínimas, graças ao avanço dos equipamentos de proteção, como os macacões de Nomex/CarbonX, desenvolvidos exclusivamente para dragsters nitrometano.

Mas não pense que toda esta proteção veio com pequenos acidentes, infelizmente ela custou muitas vidas. O termo “Fórmula 1 da era moderna”, por exemplo, só foi adotado depois da morte de Ayrton Senna, em 1 994. Naquele ano, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) criou uma comissão com médicos, comissários, técnicos e pilotos, com o objetivo de elevar a segurança de carros e pistas.

Esta comissão tornou-se o FIA Institute que atualmente auxilia no desenvolvimento de equipamentos de proteção, treinamento do pessoal de resgate e construção ou reforma de circuitos.

“Segurança acima de tudo” também vale para você e não apenas para pilotos profissionais. É preciso se conscientizar de que o investimento em equipamentos de segurança é mínimo, se comparado aos prejuízos gerados por um acidente. Desde especificação do capacete, até fixação de um tanque de combustível, por exemplo, todos os equipamentos de um carro de corrida devem obedecer a determinadas normas de segurança.

Mesmo que o regulamento de sua categoria não exija o emprego de equipamentos aprovados por alguma entidade como a FIA, a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) ou as fundações americanas Snell e SFI, eles devem ser adotados. A homologação destas entidades significa que o produto passou por testes rigorosos antes de serem aprovados.

Caso tenha dúvidas por onde começar, ou o regulamento da categoria na qual você compete seja vago, o chamado Anexo J da FIA será seu melhor guia. Nele, você encontra dimensões mínimas de parafusos para fixar determinado equipamento, diâmetro e espessura dos tubos de uma estrutura de proteção, especificação de pressão e temperatura que mangueiras devem suportar...

A dimensão mínima de fixação de um ponto do cinto de segurança exigida no Anexo J, por exemplo, é de parafusos com roscas M 12 8.8 ou 7/16” UNF, sempre apoiados por arruelas de aço e grande diâmetro. Até as angulações de cada um dos pontos de fixação é descrita: de 10 graus a 45 graus para os pontos superiores e a 45 graus em relação ao banco, para os pontos inferiores.

Outra especificação praticamente ignorada por alguns construtores é a dos pontos de ancoragem (o apoio na carroceria) principais de uma estrutura de proteção. Eles devem ser fabricados com uma chapa de, no mínimo, 3 mm de espessura e com uma superfície pelo menos igual a 120 cm2 soldada ao monobloco.

Chave elétrica geral e acionamento de extintor de incêndio também têm exigências e posicionamento determinados. Estes componentes são obrigatórios no habitáculo, instalados em uma posição que o piloto com o cinto afivelado consiga acioná-los. Em carros fechados, é obrigatória ainda a instalação de outros dois acionamentos na base do pára-brisa do lado do motorista.

Alguns itens de bólidos de corrida servem também para os carros de rua, como travas de capô, prisioneiros e porcas de roda e mangueiras com conexões do tipo aeroquipe. Eles aumentam a segurança e incrementam o visual de um “street”. Mas cuidado ao adotar uma estrutura de proteção: “Prefiro fabricar apenas o arco principal e as extensões para as torres traseiras, em carros de rua. Dá para entrar e sair do carro sem problemas. Em uma capotagem, você estará seguro”, explica Rodrigo Corbisier, da G&R Drag Race.

Se quiser saber mais sobre como deixar seu bólido seguro, acesse o site da CBA (cba.org.br) para baixar o Anexo J na íntegra ou o dragsterbrasil.com, para copiar o Rule Book da NHRA.