Muitos brasileiros fãs de Arrancada já visitaram o World Street Nationals, tradicional evento de carros de rua que acontece em Orlando (Flórida), a costa leste dos Estados Unidos. Como por lá há eventos o ano todo e todo ano, qualquer entusiasta que se programar pode achar uma bela prova de Arrancada pelo país inteiro, com ingresso barato, acesso às equipes, pilotos, carros… Tudo liberado. Durante nossa cobertura do Sema Show 2010, decidimos conferir a força da PSCA (Pacific Street Car Association). Afinal, já havíamos feito duas coberturas consecutivas da NHRA, a associação nacional da Arrancada por lá.
No caso da PSCA, trata-se de um evento mais informal, com maioria esmagadora de carros tipo doorslammer — têm cara de carro, carroceria com portas que se abrem (daí o termo doorslammer) e o público curte. Em meio aos carros, motos alongadas, socadas e preparadas também fazem parte do show que leva milhares de pessoas para as arquibancadas e centenas de veículos para a pista. Não é para menos: no caso dos pilotos, eles saem com prêmios em grana, ao final de cada evento!
No site pscaracing.com, você confere o calendário para 2011 e pode se programar para uma eventual ida à Costa Oeste norte americana. As provas (são pelo menos oito a cada ano) acontecem nos Estados do Arizona, Califórnia e Nevada. Além de corridas, há exposição de carros antigos, concursos de melhores pinturas, moto, picape, Chevrolet, Ford, Mopar…
A principal categoria da associação é a Outlaw 10,5, semelhante à nossa Extreme 10,5 (veja mais na cobertura do Festival Brasileiro de Arrancada). Na foto abaixo, dois dos principais pilotos/carros da categoria alinham na pista de Fontana (Califórnia): Chris Kephart, com seu Chevrolet Impala 1962 com supercharger Vortech, está ao lado de Rick Snavely, a bordo do Ford Mustang 2005 com dois turbos roletados Garrett. Nas passagens da dupla, os tempos ficaram entre 6s6 e 7s0, acima dos 330 km/h.
Apesar de a maioria esmagadora ser de veitões americanos, há alguns penetras nessa festa do Tio Sam. Um deles é Craig Gibbs, gerente técnico da Garrett nos Estados Unidos. Ele acelera seu Fusca 1970 desde o início dos anos 80, pouco depois de tê-lo comprado do primeiro dono. Já andou na terra, em competições de Baja, nas ruas e agora participa apenas das corridas da PSCA e de alguns Dyno Contest especiais para carros como motores a ar. E tem potencial de sobra: são 380 cv e 40 kgfm de torque. “Faço o carro no meu tempo vago, na garagem de casa, sozinho. Já participei de várias modalidades, bati feio o Fusca, mas continuo nas pistas, acelerando forte. Coloco-o no meu trailer e vou onde tiver prova ou evento”, conta Gibbs.
Para Dana Westover, outro piloto que deixa de lado os muscle V8 para acelerar seu Toyota Supra 1993, a categoria Limited Street é o ideal. Com dois turbos, mais de 1.000 cv de potência e 300 cv extra de injeção de óxido nitroso, dá para arrancar forte nos 402 metros de extensão da reta. Num dia de “pista boa”, o Supra acelera consistente na casa dos sete segundos.
Há categorias para iniciantes e as do tipo bracket race, onde carros que fazem tempos diferentes largam separados, para cruzarem a linha de chegada quase juntos. A iniciante Lori Dodes, californiana e dona de casa, estreou sua S10 V8 esse ano e está se divertindo. “Participar da PSCA é emocionante e une a família. Desde a preparação feita em casa, até o transporte, tudo nos deixa juntos a cada corrida”, conta a piloto, explicando porque as competições da associação devem ser visitadas.