Em seu melhor mês de vendas no Brasil desde que foi lançado, em 2017, o Fiat Argo encerrou setembro com 6.395 unidades emplacadas, desbancando com uma pequena gordurinha o rival Volkswagen Polo, que faturou 5.318 carros no mesmo período. Os dados são da Fenabrave, associação que reúne os concessionários do país.

No acumulado do ano, porém, o hatch da Volks ainda está na frente do oponente fabricado em Betim (MG): 51.827 licenciamentos contra 46.019. Diante da proximidade dos números, resolvemos fazer um duelo entre os compactos para saber, na prática, qual é o melhor negócio considerando as versões topo de linha, na faixa dos R$ 73 mil.

O teto acima dos R$ 70 mil se deve à tabela mais cara do Polo. Por R$ 73.250, a versão Highline 1.0 TSI custa praticamente R$ 5 mil a mais que a configuração Precision 1.8 do Argo, que tem preço sugerido de R$ 68.290. Essa diferença de cifra pode ser um indício das boas vendas do Fiat na atualidade, mas quando o assunto é produto, mesmo custando mais, o Polo desponta como um modelo superior.

No Fiat, o motor 1.8 supera o 1.0 turbo do rival em potência, mas não no torque. Enquanto o Fiat entrega 139 cv e 19,3 kgfm a 3.750 rpm, o Volks disponibiliza 128 cv e saudáveis 20,4 kgfm já em 2 mil rotações. Em outras palavras, basta dizer que com uma leve pressão no pedal da direita o Polo trabalha com sua força máxima para efetuar melhores acelerações e retomadas.

O satisfatório desempenho do VW conta com o auxílio do câmbio automático de seis marchas, que efetua trocas rápidas e suaves. A caixa de seis velocidades do Fiat, além de não oferecer um modo esportivo como a do adversário, carece de uma melhor calibração e não se mostra tão ágil em uma aceleração repentina, por exemplo. Em ambos, a lista de itens de série inclui aletas atrás do volante para mudanças sequenciais.

Ao volante, os hatches empolgam com uma ergonomia afiada – com direito a regulagens de altura e profundidade para a coluna de direção –, mas apresentam diferenças de estilo. A posição de dirigir do Polo é mais baixa e o campo de visão, um pouco mais limitado que no Argo. O acerto de suspensões também difere. O Volks é mais firme, mas não a ponto de comprometer a estabilidade em curvas. Já o Fiat, cuja carroceria apresenta uma rolagem um pouco maior, tem um ajuste mais macio em benefício do conforto. Controles de tração e estabilidade, além de assistente de partida em rampa, são itens de série para ambas as versões, mas só o Polo traz bloqueio eletrônico de diferencial, recurso que possibilita arrancadas mais suaves e confortáveis em superfícies escorregadias.

Nos dois carros, a direção com assistência elétrica é eficaz tanto em alta quanto em baixa velocidade, garantindo o peso esperado em uma estrada e a leveza para manobras. A do Argo avaliado, entretanto, oscilava um pouco abaixo de 20 km/h, ficando dura às vezes.

Apesar de dispor de sistema start-stop, que desliga o motor em paradas de semáforo e o religa assim que o motorista tira o pé do freio, o veterano motor 1.8 do Argo consome mais combustível que o moderno 1.0 do Polo. Com etanol, o VW faz 7,9 km/l na cidade e 9,5 km/l na estrada, contra 7,1 km/l e 9,5 km/l, respectivamente, do adversário. Os dados são do Inmetro.

Em termos de espaço, Argo e Polo são similares, mesmo o Volkswagen entregando 4 cm a mais de entre-eixos. Eles levam com conforto até quatro adultos e seus porta-malas de 300 litros têm volume satisfatório para o segmento.

Com opcionais, preços ficam próximos

Com todos os opcionais, o Argo Precision chega aos R$ 78.090, valor próximo ao do Polo Highline completão, que sai por R$ 78.980. Mesmo mais barato, o Fiat fica devendo freios a disco nas rodas traseiras e saída de ventilação para o banco de trás, só encontrados no Polo. O VW se destaca ainda pela oferta de três entradas USB, contra duas do Fiat.

No Polo, o pacote de quatro airbags é um recurso de fábrica, enquanto no Argo as bolsas laterais são opcionais. Os dois contam com central multimídia com tela sensível ao toque e possibilidade de espelhamento de smartphones. A do Fiat, de sete polegadas, é intuitiva, mas não tão rápida quanto a de oito polegadas do adversário.

Tanto o Argo quanto o Polo cobram por rodas de liga leve maiores (de 16” no Fiat e de 17” no Volks), mas só no Polo há oferta de sensor de estacionamento dianteiro, quadro de instrumentos totalmente digital, detector de fadiga e DRL. Apenas no Fiat, contudo, há opção de retrovisores com rebatimento elétrico.

FIAT ARGO

PRÓS: Acerto de suspensões voltado para o conforto, mas sem comprometer muito a estabilidade da carroceria. Design do painel também agrada, assim como a presença de sistema start-stop

FICHAS TÉCNICAS

MODELOS Fiat Argo Precision VW Polo Highline
Preço sugerido R$ 68.290 R$ 73.250
Motor 1.8, 4 cil., 16V, flex 1.0, 3 cil., 12V, turbo, flex
Potência máxima 139 cv a 5.750 rpm 128 cv a 5.500 rpm
Torque máximo 19,3 kgfm a 3.750 rpm 20,4 kgfm a 2.000 rpm
Câmbio Automático, 6 marchas Automático, 6 marchas
Direção Elétrica Elétrica
Comprimento 3,99 metros 4,05 metros
Entre-eixos 2,52 metros 2,56 metros
Tanque 48 litros 52 litros
Porta-malas 300 litros 300 litros
Peso 1.264 kg 1.147 kg
Rodas* 195/55 R16 195/55 R17
Consumo (cid./est.)** 7,1/9,5 km/l 7,9/9,5 km/l

*opcionais

**dados do Inmetro/Conpet – com etanol