Dados e planilhas são geralmente chatos. Mas, ao receber os números de vendas de automóveis no mundo, em 2012, nos surpreendemos com o Brasil na quarta colocação atrás de China, Estados Unidos e Japão. Além disso, entre os cinco modelos mais comercializados no Planeta, há dois Ford: New Fiesta e Focus. No Brasil, ambos vão bem e em 2013 o New Fiesta será produzido localmente. Já a nova geração do Focus chegará da Argentina (o modelo atual vem de lá). Versões exclusivas como o Focus RS, abaixo e único no Brasil, são feitas na Europa (Alemanha) e Estados Unidos (caso das versões ST, que inspiraram esse New Fiesta branco).

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FULLPOWER levou as naves para o ECPA, em Piracicaba, para este ensaio, que agrada duas facções: os maníacos por performance e fãs de sonorização.

A base do Team RS fica em Dunton, na Inglaterra. Nesse quartel general saem projetos que encaram provas de WRC (o Campeonato Mundial de Rali) e veículos de rua com desempenho radical para a maioria dos mortais.

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As versões RS nasceram nos anos 70. No caso do Focus, desde sua primeira geração já houve um apimentado. Em 2002, a marca do oval azul disponibilizou um hatch-cupê, quatro cilindros, 2.0 Turbo e 215 cv. Já era bem interessante!

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A sigla RS significa Rally Sport e esse Focus RS 2011, único do Brasil e comprado no México (apesar da produção europeia), esbanja rendimento antes mesmo de funcionar seu cinco cilindros de 2,5 litros, Turbo e 305 cv. Basta olhar os detalhes estéticos na cor Performance Green, como para-choques e carroceria alargada de verdade (não é um bodykit), além das rodas 19” e o exótico aerofólio traseiro, para sentir o desempenho. Viu só?! Até o nome da tonalidade remete à atitude do hatch cupê.

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Esse não é o tipo de carro que você olha e pode copiar. Caso tenha um Focus na garagem, será bem custoso, em tempo e dinheiro, para tentar se aproximar deste resultado: se estivéssemos na Europa ou na Argentina (onde há provas do Mundial de Rali), bastaria numerar o bólido e alinhar na fotocélula que os espectadores teriam certeza de estar diante de um WRC-car pronto para a corrida. Só que não! Sem proteções do tipo santantonio e com bancos-concha Recaro muito sofisticados, fica evidente ser um carro de uso civil.

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Painel com acabamento em fibra de carbono, ar-condicionado digital com dual-zone, vidros elétricos… Ele não poderia ser apenas para competições. Mas, dentro do esportivo dá vontade de competir com todo mundo que aparece pela frente! Em alguns casos, utilizamos o acerto com 1,4 kg de pressão de turbo para fugir de tantos curiosos que entendem (ou não) para o que estão olhando. Quem conhece sabe que esse RS é icônico. Quem não desconfia, no mínimo se surpreende com a cor e detalhes.

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Fugas são fáceis ao apertar o acelerador: a 2.000 rpm já se tem quase todos os 41 kgfm de torque (vai assim até 4.600 rpm). As marchas podem ser esticadas até 7.000 rpm, mas não há necessidade. A cada troca na alavanca curta e justíssima, de primeira a sexta, não se perde mais do que 2.000 giros. Ou seja, esticar segunda até 6.660 e enfiar terceira vai mostrar o conta-giros pouco acima de 5.000 rpm, pronto para ganhar mais rotação e enfiar quarta, até chegar a sexta e os 263 km/h de velocidade máxima que o RS atinge. É veloz!

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Tanta velocidade não impressiona mesmo para um hatch de pouco mais de quatro metros. Muito estável e com tração excelente graças a um diferencial Quaife, dá para contornar curvas rapidamente, assim como arrancar com força. Sabia que ele faz de 0 a 100 km/h em 5,9 segundos?! Rodar no Brasil com ele não é uma maravilha, pois os pneus são 235/35 R19 e a suspensão bem firme e rápida o deixa duro. Diferente dos Focus convencionais, o pacote de performance evidentemente mexeu em suspensão: amortecedores e molas são bem esportivos e as barras anti torção o deixam bem amarrado. Não se pode ter tudo: carro canhão, confortável, silencioso, estiloso…

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Até hoje, o único dono do carro, que prefere o anonimato, rodou apenas 4.500 km. “Ele gosta tanto do Focus que o poupa”, diz Marco Aurélio, amigo do proprietário e responsável pela importação deste RS. Diretor da empresa especializada em importar e alugar esportivos e carros de luxo, a Automotriz, Marco diz ainda mais: “o dono do Focus tem Porsche e outros importados, mas ele gosta mesmo é de rodar e dar umas aceleradas com esse turbo. Tanto que já foi até em eventos do tipo Track-Day, onde o carro está em seu habitat”. Realmente, no ECPA, o Ford estava no lugar certo.

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Na pista do interior paulista, seletiva, com subidas, mergulhos, curvas de alta e de baixíssima velocidade, avaliamos freios a disco nas quatro rodas, muito eficientes, aceleração e tração que faz lembrar modelos 4×4. O assobio do turbo, seguido do alívio da válvula blow-off, é de instigar qualquer apaixonado por motores fortes.

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A Ford já lançou na Europa o RS500, uma versão limitada a 500 unidades mais forte, de 350 cv, que a fez oferecer um upgrade para esse RS. Os proprietários que quisessem mais rendimento poderiam trocar o intercooler frontal por outro de maior volume, caixa de ar, escape e reprogramação eletrônica. Mas, há mais por vir: está saindo do forno o RS 2014, que deve ser oferecido com cerca de 380 cv, câmbio também manual e o mesmo diferencial blocado Quaife. Diferente deste RS de segunda geração, o próximo Focus radical deve ser amplamente oferecido nos Estados Unidos, o que facilita para os abonados brasileiros. “Demos sorte de achar esse carro no México. Se a nova versão for feita na América do Norte, vai ser mais fácil importá-la”, conta Marco, empolgado com a possibilidade de ver mais exemplares de RS no Brasil. Nós também queremos mais modelos radicais como este por aqui! Marcão: se trouxer, nos avise!

 

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A Falcon, fabricante nacional de equipamentos de áudio, pode comentar com tranquilidade o atual cenário de modificação no Brasil. Afinal, ela sempre utilizou dessa tática para a divulgação de seus produtos. “Esse tipo de ação (personalização) sempre foi muito bem recebida por nosso público. Como já estamos há bastante tempo no mercado, tivemos carros tuning, DUB, conversíveis… Cada um no estilo de sua época”, lembra Robert Amorim, um dos principais responsáveis pelo visual desse Ford Fiesta. focus-rs-e-fiesta-fullpower-9

Certo de suas palavras, ele ressalta a atual exigência do cliente por procedência e bom gosto: “Se o acessório tiver qualidade duvidosa, ele simplesmente não compra!”, enfatiza. E esse foi um dos motivos para a Falcon desistir de personalizar seus carros por aqui e começar a importar acessórios visuais. “Tivemos muitos problemas com trincas de para-choques, aerofólio mal encaixado… E, por isso, importamos um kit aerodinâmico Ford ST, com peças semelhantes às utilizadas no Fiesta do piloto Ken Block. Além de fáceis de encaixar, são resistentes e, com certeza, exclusivos”, aprova.

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Para garantir esse diferencial, porém, foi preciso coragem: importar um conjunto como esse, com para-choques, saias laterais, spoilers, molas e aerofólio, não sai por menos de R$ 20 mil. “É um preço alto, mas com certeza vale a pena. Além de você rodar com um carro diferenciado, pode ter certeza de que o investimento irá perdurar por muito tempo”. Montado pela paulista Cocuroci, o Fiesta também recebeu um caminhão de alterações em seu interior. A começar pelo sistema de som, especialidade da casa.

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Semelhante a uma espaçonave, a cabine do Ford abriga muitos alto-falantes, com direito a subwoofers até mesmo no centro do banco traseiro. “Como é um carro de divulgação da marca, há de tudo um pouco aí dentro. Mas, posso garantir que, em volume moderado, dá para curtir um áudio com muita qualidade”, garante Robert. Tentamos escutar o sistema com o volume alto: sem chance!

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Os graves são muito fortes e parece que algum órgão interno pode estourar a qualquer momento. Oposto a esse mal-estar, os bancos de couro com costuras exóticas são agradáveis, além de lembrarem assentos de carros de luxo. Mesmo na pista, local onde o Fiesta passou um dia inteiro sendo fotografado ao lado do Focus ST, os bancos abraçaram bem o piloto e, dada as limitações óbvias do carro (peso excessivo de som), contribuíram para uma pilotagem mais esportiva.
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Para a proposta desse Fiesta, de “trabalhar” estático e atrair cliques e elogios, até que a sua pseudoesportividade engana bem. Afinal, o par de ponteiras de escape (funcional), aliado ao jogo de rodas Tsuya Napoli 19”x8”, dão a noção de que o Ford foi montado para andar rápido! “Nossa proposta foi montar um carro sonho de consumo, com ‘roupagem’ única e repleto de ideias. O entusiasta pode tirar inspiração de vários detalhes, seja do interior, do som ou do visual externo”, diz Robert.

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Salvo os detalhes do painel e das rodas, executados com pintura especial, boa parte da personalização é reversível. Como a “pintura” da carroceria, por meio do envelopamento. “A cor branca é uma das características da Falcon, por isso aplicamos em grande proporção”, comenta Robert. Com o acesso e a facilidade de compras na internet, além da variedade de sugestões disponíveis, só depende de você (e do seu bolso) rodar a bordo de uma exclusividade como essa.focus-rs-e-fiesta-fullpower-16