Texto: Guilherme Silveira

Fotos: Divulgação/Kawasaki

Hoje há pelo menos três opções de esportivas de entrada no mercado. Com a Yamaha R3 na liderança do segmento, e a Honda CBR 500 R como opção de maior cilindrada e desempenho similar, a R$ 24.900.

Porém, nenhuma destas marcas pode tirar o mérito da Kawasaki, que há exatos 10 anos, inaugurava a categoria de entrada com a Ninja 250. Instantaneamente, a moto recebia o apelido de “Ninjinha”, seguida de louvável sucesso absoluto de vendas – e de fãs Brasil afora.

Compacta, gostava de giros altos para render bem. Foi substituída pela Ninja 300 em 2012, que tinha porte mais encorpado, além de potência aumentada e, sobretudo, resolvia a falta de torque nas rotações mais baixas.

Agora chega a ultima geração da Kawasaki, que de Ninjinha, só restou o porte compacto: com novo chassi e motor maior, rende 49 cavalos.

Além disso, ficou 4 kg mais leve, adjetivos que acabam por deixar a concorrência das 300 para trás, e mirar na Honda CBR 500R, com seus 50 cavalos.

Fullpower avaliou a nova Kawa no circuito do Haras Tuiuti, no interior de SP. Confira como ela se saiu andando rápido e, também importante, como ela consegue passear bem sem precisar acelerar muito!

Esportiva versátil

Antes mesmo de acelerar a nova 400, foi possível notar a grande diferença de design em relação a 300. A inspiração veio da irmã Ninja H2 com motor quatro cilindros sobre-alimentado: carenagens mais envolventes, além de farol de LED com spoilers logo abaixo dele.

O painel de cristal líquido maior e bem completo é oriundo da Ninja 650. Ele informa consumo, marcha engatada e tem até um mostrador para condução “Eco” – que aparece ao rodar mais tranquilo.

Basta se acomodar na Kawa para notar que, apesar da agressividade visual, a posição de pilotagem é relaxada para uma esportiva: os semi-guidões estão mais elevados, enquanto o assento tem espuma densa e bom grip. Somente o banco do garupa ficou (realmente) muito pequeno.

Motor continua com ronco grave e encorpado, e ao engatar a primeira marcha, dá para notar que a embreagem ficou ainda mais leve (segundo a marca, 20% mais suave), lembrando a de motos de 150 cm³.

Transmissão de seis marchas ficou mais longa, mas mantém os engates precisos e próximos entre si. Agora não é preciso muito curso ao acelerador para a Ninja ganhar velocidade com rapidez.

Na prática, os 3,9 kgfm de torque (a 8 mil rpm) tornaram a moto mais ágil e a necessidade de reduzir marchas é menor. Como comparação, a Ninja 300 rendia 2,8 kgfm a elevados 10 mil rpm.

A potência passou de 39 cv para 48 cv (a 10.000 rpm). É bastante para uma moto que pesa apenas 168 kg em ordem de marcha, e que ficou ainda esguia com o novo chassi e a balança traseira mais longa.

Entre as maiores mudanças no motor, estão a caixa do filtro de ar maior (5,8 Litros), taxa de compressão elevada (11,5:1), nova graduação nos comandos para as oito válvulas, além de sistema de refrigeração a líquido mais compacto e direto. E, claro, aumentam diâmetro e curso do bicilíndrico, chegando a exatos 399 cm³ com suavidade de funcionamento.

Nas suspensões, muda bem o sistema dianteira: apesar de não oferecer ajustes de carga, recebeu bengalas de maior bitola (de 37 para 41 mm). Na traseira, o mono-amortecedor permite ajuste de pré-carga da mola em cinco posições.

Outra mudança aparece nos freios: disco dianteiro sarado, de 310 mm, e sistema ABS Nissin de ultima geração. Para ficar ainda mais estável em curvas, recebeu pneu traseiro 1 cm mais largo – 150/70 R17.

Foram diversas voltas na pista com traçado bastante travado, e em alguns momentos que serviram para relaxar o corpo, rodando sem abusos, ficou evidente que a Ninja ficou mais civilizada no uso diário. Só peca contra o uso diário o tanque menor, que veio de 17 para 14 litros. No entanto, a moto não pareceu “gastona”.

Ao enrolar o cabo de fato, ela muda o comportamento e cresce rápido de giro ao atingir a faixa dos 7.000 rpm. As trocas de direção são rápidas e os freios, precisos.

A impressão que fica é de que “sobra” ciclística para seu desempenho, deixando uma dúvida pairar no ar: será que a próxima geração irá pular direto para os 500 cm³? Só o tempo dirá…

Vendida apenas com freios ABS, a Ninja tem dois anos de garantia, custa R$ 23.990 sugeridos na versão standard verde ou preta (R$ 1.000 a mais que a antiga 300) e pula para salgados R$ 24.990 na KRT (Kawasaki Racing Team), que conta com adesivação própria e só sai na cor verde.

Poderia apenas ter uma maior gama de cores, como a vermelha, preta/amarela e a azul, vendidas em outros mercados. Porém, segundo a marca, é questão de tempo até chegar mais opções por aqui.