Por: Eduardo Bernasconi / Fotos: João Mantovani

A internet está pipocando com as novidades no universo das picapes. A Renault Oroch acaba de ser lançada e a Fiat Toro chega em 2016, ambas dispensam a fórmula de chassi e usam monobloco. Tudo em nome de mais conforto e menos foco no trabalho pesado. Algo parecido ao que foi feito na customização desta Chevrolet 1951. Ela não carregará carga nunca. A caçamba foi totalmente refeita, com madeira e acabamento novos, ou seja, a única utilização da caçamba será a abertura e fechamento do bocal do tanque de combustível, centralizado no compartimento de carga. “O dono desta ‘boca de sapo’ vai usar o utilitário para passear e, de vez em quando, acelerar, dar umas puxadas. Ele nos solicitou sobriedade no visual, mas suspensão e motor confiáveis para render bem em viagens”, conta Alê Benevides, proprietário da Hot Company Brasil (HCB), oficina especializada em hot rods do interior de São Paulo.

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O curioso no projeto é a troca de motor. Em vez de receber um V8 típico de antigos customizados ou recuperar o seis em linha original (3.6), o cofre recebeu o power-train dos Chevrolet S10 e Blazer: V6 Vortec e câmbio manual de cinco marchas. Nós chegamos para as fotos na mesma hora em que Benevides partia para a primeira volta com a Chevy. Outra parte inusitada dela é o para-brisa inteiriço. Feito sob encomenda, ele é “dobrado” e sem emendas. No meio ele dá uma visão distorcida, mas à frente do motorista e passageiro o visual é perfeito.

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Partida na chave, primeira engatada na alavanca de alumínio billet e bora ouvir o quadrijet aspirando a mistura. Macia, a suspensão é semelhante à do 1932: coil-over Viking com regulagens. Não saímos moendo e fazendo curvas feito loucos, afinal era o primeiro shake-down da 1951. Precisávamos, no mínimo, nos certificar de que os freios com discos na quatro rodas e pinças Wilwood (seis pistões na frente e quatro atrás) estavam em perfeito funcionamento. Manobra daqui, vira de lá, acelera logo mais… Pronto, tem freio e dá para dar uma chamadinha mais forte. O seis bocas em V não sofre para dar velocidade à picape que saia de fábrica com capacidade para carregar meia tonelada. São 34,7 kgfm de força e as marchas são passadas rapidamente pela alavanca de curso longo (tão longo quanto ela). Instrumentos da linha Vintage, da Classic Industries, passam as informações para o motorista.

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Alfaiate
Como em um trabalho de alfaiate cortando as roupas, a funilaria deu uma cara nova à 1951. O capô, por exemplo, foi rebaixado e também é difícil de ser notado. “Rebaixar o capô é mais complicado do que parece. Não basta simplesmente tirar material da parte debaixo e deixá-lo ‘anão’. É preciso fazer um corte em V e tirar material até chegar nas medidas desejadas. Trabalho de artista”, fala Benevides, sobre o serviço bem executado.

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Os estribos também são custom made, assim como a pequena ventilação perto das caixas de rodas traseiras, tudo puramente estético. Afinal de contas, o que interessa aqui é chamar a atenção pelo visual.