Pista e Rua – Chevrolet Astra

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Poucos carros têm a experiência de vida deste Chevrolet Astra fabricado em 2000. Aos 15 anos de idade, já experimentou de tudo: motor trocado e turbinado, provas de Arrancada e, agora, o Track Day. E sem deixar de ser usado no dia-a-dia, com interior montado e todo o conforto típico dos carros da marca. O hatch, originalmente 1.8, pertenceu a Cacá Daud, piloto e preparador de Arrancada conhecido pelo Brasil, responsável pela instalação do novo motor e da preparação. Agora, está nas mãos de Mauro Maia, que se diverte com mais de 500 cavalos deste 2.3 em circuitos na região sul do país. Para seu preparador atual, Diogo da Silva, da RC Racing, o limite para abandonar as ruas e ficar apenas nas pistas está próximo… Mas, não pense que o problema dele é dirigibilidade para passear numa boa. O que incomoda seu dono é saber que o tempo de volta poderia ser ainda melhor, por exemplo, se adotasse um simples alívio de peso, depenando o interior.

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Cilindrada e Pressão

No cofre agora está um C20X, multiválvulas que equipa originalmente o Calibra, aumentado para 2.370 cc. Ele parece que nasceu ali, de tão perfeito o funcionamento. Este swap foi feito por Cacá Daud aproveitando algumas peças de seu carro de corrida em 2006, quando corria de Astra na Arrancada. De quebra, o propulsor foi conectado a um câmbio S23. Na prática, uma relada de leve no pedal do acelerador embala demais o pequeno hatch, bem antes de o turbo Bullseye S362 entrar em ação, com pressão máxima de 1,4 kg com booster ligado — no pé, anda com 1 kg. Na oficina de Diogo, o carro ganhou novos ajustes para ser mais voltado para circuito, sem mexer nas peças internas. Ele usa pistões Iasa e bielas Hercule, forjados, para suportar voltas e voltas na pista sem reclamar. “O motor grande, aliado ao acerto da injeção e ignição, garantem o torque violento”, explica Diogo sobre a origem dos mais de 70 kgfm, durante uma volta no autódromo do Velopark, em Santa Rita, perto da base de sua empresa, no Rio Grande do Sul.

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Com a injeção eletrônica FuelTech FT500 bem acertada e pouco barulho de escape em baixo giro, você custa a acreditar que ele é poucos segundos mais lento do que um Fiat da Copa Linea, desenvolvido para pista — apenas cinco segundos no autódromo de Santa Cruz do Sul. Com tudo montadinho no interior e uma embreagem multidisco macia, a sensação é incrível e também não se percebe a idade do carro, claramente muito bem cuidado — tudo é zerado, limpo, perfeito. Apenas algumas alterações denunciam a esportividade extra, mas com encaixe e acabamento perfeitos. O volante, por exemplo, além de menor do que o original, bem racing, fica mais próximo do motorista.

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Conjunto Completo

No lugar da caixa de instrumentos, um painel inteligente da FT manda diversos dados durante uma volta rápida, além das informações corriqueiras de velocidade e RPM de um quadro de instrumentos convencional, para o uso comum. Quando está tirando tempo, os bancos Sparco também fazem a diferença, pois seguram o piloto nas curvas, onde o Astra se destaca com uma capacidade incrível de contornar. “A preocupação após o primeiro Track Day foi com os freios, que não eram compatíveis com a potência. Neste caso, contamos com a experiência de 40 anos da MetalMoro na adaptação de discos de 360 mm e pinças importadas Wilwood de seis pistões”, conta o proprietário e piloto, equipado agora com um carro completo. “Posso frear na placa dos 50 metros sem medo”, afirma.

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A suspensão, que tem diversos ajustes para ser boa tanto na pista quanto nas ruas, foi feita em São Paulo, pela Impacto Especiais, de acordo com os pedidos de Diogo para carga de bump e rebump. “É um sistema coilover com graduação de cambagem nas quatro rodas”, explica o preparador, que trabalhou mais de um ano e meio no refinado projeto. Para Mauro, que pegou o carro praticamente apenas com um motorzão forte, as mudanças foram impressionantes e constatadas logo no seu segundo dia de pista livre. “Pude desfrutar da força do motor, evoluindo na performance da tocada. Com isso, a paixão pelo automobilismo tomou proporções incríveis e tenho novos projetos em vista”, garante, animado com a possibilidade de se divertir com os amigos em provas que aparecem com cada vez mais frequência no Brasil.

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Agora, fica a dúvida: ele vai desmontar o carro e deixar o brinquedo apenas para Track Day? Em pouco tempo vamos descobrir. Mas, seria uma pena perder o conforto do Astrão, que além de virar muito na pista, pode dar prazer também para levar os filhos na escola, ou ir ao supermercado… Difícil decisão! Nós pensamos que ele deveria deixar assim e montar outra nave só pra pista. E você, o que acha?

Texto e Fotos: João Mantovani

 

 

Redação
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