A experiência atrás do volante de um Porsche Panamera 4S é simplesmente inesquecível. São 400 cavalos e 50 kgfm de torque em um carro que transpira luxo e sofisticação

Graças ao auxílio de um amortecedor hidráulico, a porta do grande sedan com 4,97 m de comprimento pára na posição desejada. Não há nenhum estágio pré-definido. Sentado ao volante, o envolvente banco elétrico avança à posição ajustada anteriormente. Para manter o centro de gravidade baixo, você (e todo mundo que estiver junto) senta quase no assoalho. O volante é alto e vertical, as mãos apoiadas ficam na mesma altura dos ombros. As pernas estão esticadas e o console central é envolvente. Os passageiros dos bancos traseiros, individuais como os dianteiros e até com opção de regulagem do encosto, têm sensação de “encaixados em um cockpit”. O couro dos bancos e laterais também está presente em todo o painel. Acabamento primoroso. Bem ao centro do conjunto de cinco instrumentos circulares está o conta-giros…
O despertar do V8 impressiona. É um ronco grave que some logo em seguida. Foram provocadas por válvulas de passagem acionadas eletronicamente, que deixaram os escapes mais livres para a partida. Um pequeno artifício dramático para aumentar a emoção de quem vai andar nesse carro. A menos que você vá dirigir a versão Turbo, com sistema de entrada e partida sem chaves, não se esqueça de carregá-las na mão esquerda, pois é deste lado que fica o acionamento do motor. Afinal, você está num Porsche, mesmo com quase cinco metros, quatro portas e capacidade para carregar mais três passageiros além de você.
Este é o Panamera. Mais do que um sedan esportivo, um legítimo Gran Turismo com quatro portas. A convite da Porsche Latin America, andei no 4S, a versão com motor V8 4.8 aspirado e tração integral, em Miami, nos EUA. Apesar de não ter o mesmo poder do já citado Turbo — o top de linha equipado com um V8 biturbo de 500 cv e 71 kgfm de torque —, o 4S é bem divertido. O comportamento dinâmico é excelente, impecável! Raramente você se lembra de que há mais uma fileira de bancos bem confortáveis atrás de você, ou dos 1.770 kg deste carro.
O motor de 400 cv e 50 kgfm de torque é derivado dos Cayenne S, porém com componentes internos mais leves e menor altura — reflexo da fixação pelo centro de gravidade quase no chão da engenharia Porsche. Tem injeção direta, variador de tempo e fase dos comandos de admissão VarioCam Plus, coletor de admissão de dois estágios, cárter seco… Para economizar peso, claro que não foram poupados esforços, nem tampouco investimento em materiais nobres, como titânio e magnésio — as tampas de válvulas, por exemplo, são fundidas no exótico metal.
O câmbio também é o que há de melhor na fábrica alemã: um dupla embreagem PDK com sete marchas, mais reforçado do que o de seus irmãos menores, Boxter, Cayman e 911. A suspensão é perfeita! Um primor técnico com os quatro cantos independentes, molas pneumáticas, barras estabilizadoras e amortecedores ativos, com inúmeras variações de carga conforme a opção do motorista, condição de piso ou velocidade do carro.
A exemplo do Cayenne, o carro foi muito criticado pelo seu design, pelo seu preço e até pelo rendimento perante à concorrência. Realmente, não é o sedan mais bonito já fabricado. Também não é o mais rápido. Certamente é caro. Porém, o Panamera tem virtudes incontestes e pouco respeitadas pelos fabricantes nos dias de hoje: tem caráter, é autêntico e gera satisfação. Preserva o legado e mantém a tradição de seus antecessores, a exemplo dos outros carros da marca Porsche. Com todos os seus defeitos e com suas muitas, impressionantes e inesquecíveis qualidades.