Nissan Livina X-Gear foi parar onde não devia: FULLPOWER Lap. E não é que a minivan gostou das três voltas em Interlagos?
O Livina X-Gear é um veículo ótimo para rodar tranquilamente com a família. Na realidade, bastou guiá-lo por um quarteirão para chegar à conclusão de que não fazia sentido algum desvendar seus segredos e falar o que poderia ser feito para os aficionados por modificações, performance e acessórios. Não é este o interesse de um casal com dois ou três filhos. Então, assim que desistimos de levar uma reportagem para esse sentido, abriu-se a oportunidade de colocar o monovolume no FULLPOWER Lap, em Interlagos.
Mas, se o proprietário de uma Livina não escolheria este carro para quaisquer modificações, qual seria a chance de o mesmo querer levar a minivan para um circuito de Fórmula 1? Na realidade, muito baixa. Ainda assim, demos a chance para o Nissan mostrar do que é capaz quando colocado no limite extremo. O motor 1.8 16V se comportou tão bem nos primeiros quilômetros da nossa avaliação que acreditamos no potencial da perua: comparado com o Golf Black Edition (FULLPOWER #107), ele tem menos torque, porém mais potência. São 17,5 kgfm e 126 cv, no etanol. Ou seja, merecia uma oportunidade na pista.
O câmbio automático de quatro marchas poderia ser um impeditivo para a boa performance. E foi. A transmissão é excelente e cumpre bem seu papel nos passeios de rua, mas não para ganhar tempo na pista. Em algumas aproximações de curva, foi preciso reduzir marchas na própria alavanca: era da posição Drive para a 2 e vice-versa. Os freios, discos na dianteira e tambores na traseira, também não são ideais para chegadas radicais nas tangências. E nem precisam ser. Afinal, você não vai dirigir feito um louco com sua família a bordo. Mesmo assim, nas três voltas do FULLPOWER Lap, suportaram a tortura sem fading (perda de eficiência). Realmente surpreenderam.
Confortáveis, os bancos revestidos em couro de série, são o oposto de um estilo concha. Bem planos, é fácil escorregar neles. Era um tal de “vai para lá, vem para cá”, especialmente em contornos de alta velocidade. A cada curva com o pé em baixo, como a do Sol, por exemplo, torcia para que o inicio da reta chegasse logo para não cair do assento em cima das alavancas de freio de estacionamento e marcha.
Antes mesmo de chegar à pista, sabíamos que o X-Gear era um beberrão quando conduzido esportivamente. Apesar de a fábrica divulgar um consumo médio de 8,5 km/litro, nosso time não conseguiu superar os 6,5 km/litro – mas andamos sempre rápido. O torque máximo aparece apenas nas 4.800 rpm graças ao cabeçote multiválvulas e, por isso, o Nissan exige pisadas fundas para locomover seus 1.204 kg. Nem mesmo o sistema de comandos variáveis colaborou para saídas rápidas nas curvas de baixa.
Apesar de evidentes características para manter distância de uma pista de corrida, o Livina X-Gear surpreendeu: virou 2min25seg140, praticamente o mesmo tempo do Golf. E diferente do Volkswagen, o Livina (R$ 56.990) dificilmente ficaria bom de pista simplesmente com nova suspensão, upgrade de motor e de freios. Mas, valeu a diversão e a possibilidade de ter um desempenho tão bom quanto o do já clássico VW.