Velozes e Furiosos no Brasil: Supra e Charger fazem bonito nas ruas

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Nem parece que estamos no Brasil, pois essa dupla que você vai conhecer aqui têm nível de detalhes absurdo. Encontramos o único Toyota Supra baseado na nave do primeiro Velozes (pilotado por Paul Walker, até então o policial disfarçado Brian O’Conner) e achamos também um Dodge Charger R/T americano, similar ao imortalizado por Dominic Toretto, interpretado por Vin Diesel na telona. O carro japonês, montado no interior de São Paulo (Jundiaí), é seis cilindros turbão, enquanto o muscle americano tem um V8 aspirado e veio de Nebraska (EUA). Ambos são divertidos, lindos e prontos para qualquer rolê! Dê uma olhada também no vídeo desses foguetes. 

CASO RARO

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Achar um Toyota Supra 1993 à venda no Brasil não é tarefa simples, pois o esportivo foi comercializado aqui apenas no início dos anos 1990, por revendas independentes. André Luiz, da Castor Suspensões, comprou o carro em bom estado no ano passado, cheio de más intenções. “Quando o Supra chegou na nossa fábrica, ainda original, tínhamos planos para ele, como preparar o motor 2JZ. Mas, ainda não considerávamos fazer uma réplica do Supra do primeiro Velozes”, conta. Na época, André desmontou tudo e o pintou em um rosa metálico malucão. “Ficou bom, chamava atenção, mas não tinha muita identidade”, explica. Depois de trocar ideias com sua equipe e alguns amigos, ele topou reproduzir o carro de Brian O’Conner e mandou ver um laranjão perolizado da PPG (Candy Pearl Orange) na carroceria do cupê. Mas, isso era apenas parte do processo…
A maior preocupação era o bodykit, essencial para o projeto. Como não existem prontos no Brasil, importar parachoques e saias laterais traria dois problemas: prazo para finalizar o carro e custo com transporte e importação, pois as peças são enormes. “Falamos com um brasileiro que morava no Japão e teve carros publicados na FULLPOWER, o Márcio Hashimoto, e ele se responsabilizou em dar a cara ao Supra. Os parachoques e saias nasceram a partir de espumas modeladoras, trabalhadas até se tornarem moldes perfeitos. Depois, bastou construir em fibra de vidro”, explica. O aerofólio traseiro também foi na raça, com os pés em alumínio, mesmo material usado na asa, assim como a adesivação completa. “Tudo foi feito olhando fotos e pesquisando na internet. Não tínhamos medida, projetos em papéis… Nada!”, comenta André.

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Na oficina de Marcio, em Curitiba, o seis cilindros 3.0 2JZ original deu lugar a outro motor igual, porém preparado no Japão, todo forjado. Além disso, a configuração da admissão foi alterada: saíram os dois compressores originais pequenos para entrada de um grande, da HKS, que trabalha com até 1,5 kg de pressão e ajuda a potência chegar perto dos 500 cavalos — de fábrica, ele oferecia 320 cv. Além do turbão, a preparação tem pressurização em inox toda refeita, intercooler gigantesco, polias reguláveis, bicos injetores de maior vazão e bombas de combustível de alta performance, alimentadas apenas com gasolina de alta octanagem.

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Para quem acha que suspensão a ar é apenas para show-car e não dá para usar em pista, a Castor Suspensões desenvolveu um kit com bolsas gomadas e mangueiras em aeroquip para provar o contrário. Elas são testadas e aprovadas no Supra, que participa de eventos de Drift sem dever nada para outros sistemas — durante as fotos, no interior de São Paulo, deu para bagunçar bastante com o Toyota e andar de lado com força, levantando fumaça. Para isso, colabora também o diferencial blocado, que dá estalos ao rodar devagar, mas faz as rodas traseiras girarem juntinhas na hora de meter o pé. Basta chamar na embreagem (de discos triplos) para fazer a rotação subir e queimar os pneus 225/35 montados em rodas 19” côncavas, bem estilosas. Ele é firme com a suspensão a ar e a tocada parece de um sistema com coil-over, com acerto de um carro de rua, sem cambagens negativas ou alinhamento diferenciado. Como o motorzão tem torque, é fácil driftar com ele. Durante nossa sessão de fotos, usamos de primeira à quarta marcha no câmbio de seis velocidades. Quanto tudo a disco nas quatro rodas, com pinças StopTech na dianteira e originais de fábrica na traseira. Ele para muito.

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Para a réplica ficar completa, ainda falta volante e bancos concha no interior, que já estão sendo providenciados. Mas, talvez André não tenha tempo para isso, já que existem interessados no brinquedão. “Um fã do filme, do Rio de Janeiro, já me ligou para comprar o carro”, disse. Afinal, quem não quer tirar onda com o carro do Brian?!

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Por enquanto, no Brasil, não há uma réplica 100% do Charger R/T usado por Dominic Toretto. Mas, existe esse Dojão de responsa para ilustrar essa homenagem à saga de Hollywood. O proprietário é também de perto de São Paulo e na sua garagem existem outros dois Dodge, porém Dart. “Esse carro era meu sonho de criança. Vendi um raríssimo Charger R/T 1971 nacional, prata, placa preta, quando encontrei esse cupê à venda em Nebraska, nos Estados Unidos. Ele era branco e o dono queria US$ 18 mil”, conta Cleber Bocchi, apaixonado por carros e gerente de vendas em uma concessionária. Além do valor pago, teve frete e taxas de importação para colocar o carro no país, o que fez a conta chegar perto dos R$ 100 mil, em 2008. Caso fosse nos dias atuais, com esse dólar subindo bonito e sem controle, pode-se considerar o dobro da conta ou perto disso.

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A vontade de ter um Charger R/T americano vem de infância, dos filmes da Seção da Tarde na televisão. “Os pegas entre Ford Mustang e Dodge Cherger no filme Bullit eram demais”, lembra Cleber, realizado com seu brinquedo. A configuração original deste muscle era bem americana: branca com bancos vermelhos metalizados. Ao chegar aqui, porém, Cleber já mandou um banho de tinta preta para remeter ao Bullit. “O antigo dono não acreditou que o carro veio realmente para o Brasil, muito menos que o pintei de preto”, conta. A parte boa é que o gringo já tinha aplicado uma preparação leve no V8 440 — big block de 7,2 litros — para se divertir em provas de Arrancada nos States.

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Os coletores de escape são dimensionados e o comando de válvulas no bloco é de maior graduação. Apesar de sair de fábrica com carburador de corpo quádruplo, também foi instalado um novo quadrijet, porém de maior vazão: um 650 cfm Holley. Os pneus traseiros são mais largos que os de linha (veja ficha à direita) para ter mais tração na pista ­— lembre-se que é uma preparação de época — e a suspensão que tinha um reservatório de ar foi alterada para ter mais performance, mesmo perdendo conforto. “Mantive a suspensão sem o sistema a ar. Deixei tudo desligado e rodo tranquilamente com o R/T”, diz o dono. “Mesmo tendo feixe de molas na traseira, dá para rodar numa boa e acelerar também”, finaliza.

Em uma viagem aos Estados Unidos, Cleber trouxe novas capas para os bancos dianteiros, no mesmo vermelho metálico original, típico do final dos anos 1960. Volante também veio nesta bagagem, assim como as rodas de aro 15”. Apenas os pneus foram comprados aqui, em um importador especializado em clássicos. A faixa vermelha é realmente estilosa nos 15”.
Deve-se ficar esperto ao apertar o acelerador, pois as borrachadas são inevitáveis com os quase 70 kgfm de força do motor 7.2. Neste caso, o diferencial não é blocado como no Supra e cada borrachada gasta apenas um pneu. Na hora de frear essa banheira, não há assistência com vácuo e é preciso pressionar o pedal com vontade para segurar os 1.700 kg do muscle, que acelera aos 100 km/h em pouco mais de 6 segundos nesta versão automática. Não é o tipo de carro para vir dando final em qualquer oportunidade, pois o painel pode apontar mais de 230 km/h e, em caso de emergência, freio e estabilidade continuam os mesmos de décadas atrás (discos na dianteira e tambores atrás). “É um supercarro para acelerar e passear, mas tenho vontade de colocá-lo nas pista de Arrancada, como seu antigo dono. Faço meus passeios com amigos donos de Dodge, vamos a eventos e nos divertimos como se estivéssemos em um filme, realizados com os sonhos na garagem”, completa Cleber.

Texto: Eduardo Bernasconi

Fotos: João Mantovani

 

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