Cool Air Cooled: reunimos Fusca ‘69 e Kombi ‘53 no Galpão Fullpower para um ensaio e mostrar um pouco da cena que ganha força no brasil e no mundo: os air cooled estão bombando.

Texto: Eduardo Bernasconi / Fotos: João Mantovani

Difícil encontrar um brasileiro que nunca andou nos Fusca ou Kombi da Volkswagen, que este ano completa 60 anos de Brasil. E a montadora alemã não pode reclamar: seu novo Fusca está bombando e a marca é a que tem mais clubes e sites oficiais por aqui. São diversos entusiastas apaixonados por seus carros e, mais do que nunca, pelos “air cooled”, termo em inglês dado para os refrigerados a ar.

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Para mostrar bons exemplos e provar que dá para ter um belo VW na garagem, juntamos uma Kombi raríssima, alemã (1953), socada, e um Fusca 1969, turbão, também rastejante. Foi isso que Davi Gomes (32), um especialista do mercado financeiro, percebeu há oito anos: comprou este “meianove”, entrou para a família dos air cooled e agora não sai mais. “Esse foi meu primeiro Fusca e certamente comprarei outros VW antigos”, comenta.

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A nave é inteira e disfarçada: apesar da placa 1.300 na tampa traseira, embaixo dela há um 1.6 turbinado, com 1.8 kg de pressão para derreter os pneus 15”. Segundo Davi, seu amor (o carro) já lhe fez passar vergonha: “Estava em um evento fechado e decidi dar uma borrachada. Levantei fumaça e foi bonito, mas o cabo do acelerador quebrou e fui embora de guincho. Hoje em dia, estou mais controlado e o carro mais confiável do que nunca. Rodando com carburador e no etanol, não dá dor de cabeça. Me leva para onde eu quiser”, diz ele.

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Ao lado do galpão FULLPOWER, saímos para um rolê. Bancos em couro bege, sem enconsto de cabeça, no estilo! A suspensão, com bitola estreitada em oito centímetros (quatro de cada lado) e pregada no chão, tem catraca na frente e facão regulável atrás. Foi até difícil sair do nosso galpão. O para-choque dianteiro queria raspar o asfalto e o traseiro pegava no final da calçada. Mas, ao cair na Rua Américo Brasileinse, em Sampa, primeira e segunda marchas mostraram disposição para um “a ar”, sem ultrapassar limites da via ou fazer arruaça. A Fuca é forte!

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Câmbio de quatro marchas original, rodas Fumagalli e pintura Azul Recife chamaram atenção pelas ruas do bairro. Se Davi quiser aparecer mais ainda, basta abrir o teto Ragtop e ligar a sonzeira: há um rádio original no painel, mas no porta-luvas quem comanda é um Kenwood, ligado num ampli para tocar o kit duas vias e um sub de 12”.

UTILITÁRIO SEM TRABALHO

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As Kombi pick-up nasceram para o trabalho. Foi um dos primeiro modelos do mundo em que o motorista ficava à frente do eixo dianteiro. Segundo André Takeda, dono desta VW, é uma das duas existentes no Brasil. “Eu conheço outras quatro em toda a América Latina. Acredito que sejam seis, ao todo, nos arredores do país. O antigo dono encontrou o carro abandonado em uma fazenda e o restaurou. Eu comprei já em perfeito estado e investi forte pela raridade do modelo”, conta Takeda.

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Para completar, ele se diverte falando dos puristas que não concordam em pegar algo tão conservado e raro e pregar no chão, diminuir a bitola e colocar rodas Empi Torque Star 15”x5”. Andrézão, aqui na FULLPOWER nós piramos na Kombi com essa configuração! Mesmo derrubada, com as rodas de 15 polegadas, ainda ficou bastante confortável e até com boa distância livre do solo, pois as rodas originais, aro 16” com pneus altos, exigiam caixas de roda enormes. Coisa linda para quem gosta de andar “matando formiga”!

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E rodar em um 1.2, carburado, quietinho?! Sentar ao volante no banco interiço, de corvim, câmbio quatro velocidades “caixa seca”, que faz as marchas chorarem… É curioso! A embreagem é suave e a troca da parte elétrica de 6 Volts para 12 Volts deixou o utilitário — que nunca levou carga na caçamba — mais disposto, cheio de energia. “Toda semana ando com o carro. Hoje mesmo, vim de Mogi das Cruzes para São Paulo fazer o ensaio para a FULLPOWER rodando”, conta. O velocímetro solitário no painel (não há outros instrumentos) marca a máxima de 100 km/h. “Acho que na real deve ser uns 98 km/h”, brinca Takeda. Com 36 cv no quatro cilindros boxer e 60 anos de idade, enfiar quase 100 km/h está de bom tamanho!

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Mesmo que alguns apaixonados e conservadores critiquem as alterações na Kombi, André pretende até trazer um motor fortão dos Estados Unidos (onde a cena dos air cooled também está cada vez mais forte), para poder curtir sua pick-up. Nós da FULLPOWER só temos de incentivar: com o motor pronto, faremos outra matéria!

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