Tuning na LanternaO Golf 2.0 está agora com câmbio automático de seis marchas, freios a disco nas quatro rodas, mas falta força para um FULLPOWER Lap!

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A série limitada Black Edition do Golf chamou a atenção no circuito de Interlagos. Tanto que alguns curiosos acreditavam que o carro era modificado por empresas especializadas. Afinal, rodas pretas, faróis com máscara negra e pneus 17 nas medidas 205/50 não são comuns em um modelo original… Que nada!É arrojo da Volkswagen às vendas nas concessionárias por quase R$ 64.000. Pelas ruas e estradas, o modelo anda bem: trocas de marchas no câmbio automático de seis velocidades são suaves, os bancos em couro recebem bem os passageiros e o volante também revestido permite uma pegada esportiva. Tudo parecia bem, até enfrentar as curvas do autódromo José Carlos Pace, o famoso Interlagos.

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Com o acelerador no fundo, o torque até aparece desde as baixas rotações (atinge 16,5 kgfm às 4.300 rpm), mas não surpreende e o hatch deixa a desejar. Os freios eficientes dão conta da primeira frenagem forte, ao final da reta oposta, com velocidade pouco acima de 150 km/h. Para um Golf 2.0, é decepcionante. Mas tudo bem, o carro não nasceu para isso. Não esperava rasgar a reta acima de 200 km/h num modelo de quatro cilindros de fluxo cruzado de apenas 107 cv (aferidos no dinamômetro) e quase 1.500 kg.

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Ao abrir a primeira volta, passamos o ponto de largada, na reta dos boxes, a 160 km/h. Os freios continuaram com eficiência total, mesmo quando acionados depois da placa de 50 metros. Isso mesmo: com a velocidade baixa, o contorno do S do Senna ficava mais tranquilo do que uma tarde de domingo com a casa vazia — e as frenagens cada vez mais perto das curvas. As reduções de marcha, lentas para uma tocada de pista, confundiam: basta um toque na alavanca para reduzir ou subir marchas. Mas, a passagem não é imediata. Ou seja: algumas vezes, foi preciso dar dois toques, pois a marcha não mudava e, de repente, trocavam-se duas de uma vez.

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Definitivamente, se o seu único carro for um Golf automático, não conte com ele para um Track Day.
Suspensão ultramacia — mesmo com pneus de perfil mais esportivo — garante conforto e, definitivamente, não nasceu para subir em zebra e fazer o conjunto todo vibrar mais do que a cintura da moreníssima Globeleza no carnaval carioca. A carroceria rola nas curvas de alta e a frente tende a escorregar em curvas de baixa, sob forte aceleração. Nada mais normal para um carro com motor e tração dianteiros sem acerto de pista, guiados por um cara desesperado para virar o menor tempo possível. Marcou o quinto tempo.

Por Eduardo Bernasconi

Fotos João Mantovani

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