FULLPOWER foi convidada para acompanhar de perto a prova de Arrancada que rola no Amazonas Motorpark. Ela acontece na única pista de arrancada do Norte e Nordeste do Brasil com metragem oficial para provas em ¼ de milha (402 metros), localizada na cidade de Iranduba, a 30 km da capital Manaus (AM).

Cheguei à Manaus durante a madrugada e já encarei um calor de rachar. Diante das minhas reclamações, meu anfitrião Carlos Osga, coordenador da pista, logo disse: “Se prepara que amanhã tu vai ver o que é calor!”. Dito e feito: saímos para a pista às 7 da manha e lá estava ele, o sol, lindo e escaldante.

Para mim, que sou fissurado em provas de Arrancada, encararia o sol na maior tranqüilidade. Porém, a ida para a reta do Amazonas Dragway reservava uma experiência única. Isso porque, para chegar a Iranduba, onde está localizada a pista, é preciso atravessar o famoso Rio Negro, largo e gigantesco.

Para encarar essa travessia, tínhamos duas opções: de balsa, cujo passeio demora cerca de 40 minutos, ou na famosa “voadeira” — um barco pequeno e simples, com um motor de popa. Muito popular, é o meio de transporte de muitos ribeirinhos da região Norte e Nordeste do país. No final, optamos pela voadeira. A travessia nesta curiosa lancha custa R$ 5 por pessoa e dura cerca de 10 minutos — recomendo, pois é pura emoção!

Em terra firme, desembarcamos na Feira do Produtor João Luiz Hartz. Ali, além de uma infinidade de frutas locais, encontramos os pescados do Rio Negro, como Tambaqui, Pirarucú, Tucunaré… Eles são oferecidos diretamente pelos pescadores, fresquinhos.

Mais cinco minutinhos de carro e chegamos à reta amazonense. Na pista, encontrei tudo perfeito. Uma reta com 900 metros de comprimento e muito VHT — somado ao sol escaldante, proporcionou um grip de dar inveja à maioria das pistas que visitei pelo Brasil.

As arquibancadas são um show à parte, pois além da bela vista da pista — cercada pela selva amazônica —, a galera acompanha os pegas debaixo da sombra proporcionada pela cobertura. Como se não bastasse, atrás das mesmas haviam diversas duchas para um eventual refresco. O público já vem “equipado” com sunga e biquíni para os banhos durante o evento.

O contato com a cultura local está espalhado por todos os lados! Debaixo de um Sol de 40º, resolvi tomar um sorvete para dar uma aliviada no calor. Chamei o tal do homem do picolé. “Quais os sabores que o senhor tem?”, perguntei. A resposta foi a seguinte:  “Temos de tapioca, cupuaçu, buriti, tucumã e farinha láctea”. O único nome que eu já havia ouvido era o tal “farinha láctea”! Mas, mesmo assim, nunca imaginei que existia sorvete disso. Arrisquei um de Cupuaçu e até que era gostoso… Recomendo!

Na pista, entre os 90 competidores desta etapa, a listinha de carangas era de respeito! Opala turbo de 800 cv, EVO de 1.000 cv, Honda VTI turbo de 700 cv… “O sucesso da pista só não é maior porque o único acesso dos carros que competem é através da Balsa. O congestionamento requer uma espera de até 4 horas para a travessia. Em novembro será inaugurada a ponte Manaus-Iranduba. Aí, sim, o bicho vai pegar”, prevê o organizador, Juliano Bento.

Para os moradores da região, meus parabéns pela conquista, e para os turistas sedentos por performance, aí vai um bom motivo para conhecer as maravilhas da Amazônia.