Texto: Guilherme Silveira

Fotos: Divulgação

Após dois anos de seu lançamento, a trail Himalayan 400, da indiana Royal Enfield, chega ao Brasil. Equipada com freios ABS de série, a nova monocilíndrica tem dois anos de garantia.

Desenvolvida ao longo de seis anos, a Himalayan faz referência à mais alta cadeia montanhosa do mundo, repleta de trilhas hardcore. Ao vivo, a moto de porte médio/grande agradou: seu acabamento geral é bem cuidado, em especial o 

confortável assento e o completo painel que une elementos digitais (como o termômetro e uma interessante bússola).

O design “raiz” remete diretamente às motos trail que se consagraram nos ralis dos anos 1970 e 1980 – em especial Yamaha XT 500 e BMW R80 GS. Há pouco plástico e muito aço, a exemplo do tanque de 15 litros; o que acaba resultando “fortinhos” 191 kg – em ordem de marcha.

Para elaborar o parrudo chassi de berço duplo, a marca teve auxílio da grife britânica Harris Performance, estrutura que abriga de maneira reforçada a nova mecânica LS 410 (de Long Stroke, ou, longo curso do pistão).

O motor é de fato um um passo à frente dos antiquíssimos motores com comando no bloco, conhecidos da marca: 410 cm³, comando para duas válvulas no cabeçote, e refrigeração a ar auxiliada por um radiador de óleo. Com eixo balanceador, a máquina vibra pouco e aumenta o conforto em viagens. E se mostrou esperto, graças aos 3,16 kgfm de torque disponíveis entre 4.000 e 4.500 rpm. Já a potência é de acanhados 24,8 cv a 6.500 rpm.

Na prática, é preciso acelerar pouco para andar a contento na cidade e em estradas secundárias, podendo viajar bem em vias rápidas na casa dos 110/120 km/h – porém, não se deve esperar muito mais do que isso.

O câmbio de cinco marchas tem relações mais longas e rende baixos 5.000 rpm a 100 km/h em 5a marcha, com atenção aos engates precisos. Destaque para o ronco encorpado do escape, agradável e que lembra as saudosas “xizelonas” do passado.

Decepciona um pouco o sistema de freios (a disco nos dois eixos), o qual carece de mais potência em situações de emergência. O manete do freio dianteiro, distante do guidão, pede muita força para responder rapidamente. Poderia ter uma modulagem otimizada, ou mesmo uma regulagem de distância. Já o traseiro é eficiente, mas o ABS mostra certa letargia para entrar em ação.

Enquanto na dianteira o aro de 21″ garante controle adequado no fora-de-estrada, atrás se optou por uma roda menor (de 17″ em vez de 18″), o que resulta numa altura do banco de apenas 80 cm do solo. Desta forma, pilotos de estaturas diversas se encontram bem na Himalayan, junto de uma posição de guiar relaxada.

Suspensões de longo curso (com monobraço traseiro montado em links) tem acerto mais firme e suportam bem a “porradaria” das estradas sem calçamento. Só existe ajuste na pré-carga para a mola do amortecedor traseiro.

Bem equipada, a Himalayan acompanha protetor de cárter, cavalete central, estruturas tubulares nas laterais do tanque (que permitem amarrar malas ou ferramentas), rack traseiro com furação para baú e para-brisa de dimensão agradável.

Com preço interessante para uma importada de porte maior (R$ 18.990), essa Royal Enfield poderia ter mais opções de cores, além dos triviais branco ou preto. Diante do design bastante retrô, cores mais vibrantes poderiam cair bem na simpática trail.

Mais nove revendas até o fim do ano

Segundo Arun Gopal, diretor de negócios internacionais da marca, o Brasil se tornou o País de maior importância no mercado da América Latina. Com a chegada da Himalayan, modelo que tem respondido por 50% do volume de vendas da marca mundo afora, a rede vai expandir e deverá ter nove novas revendas inauguradas até o final do ano. Até o momento, foram confirmadas lojas no Rio de Janeiro, Curitiba, Campinas e Brasília.

Em menos de dois anos de atuação no país, a única loja localizada em São Paulo vendeu mais de 900 motos. A Royal Enfield também oferece vestuário e acessórios, linha que deve crescer com a oferta da nova trail.