É cada vez mais comum vermos notícias de downsizing nos carros esportivos e superesportivos, devido às novas legislações de emissões e eficiência energética. Os Porsche 718 são exemplo disso, assim como a possível volta do Viper com um motor V8 e a também possível aposentadoria do Audi R8. Mas a Lamborghini está, ao menos em partes, na contramão desta tendência, segundo a revista britânica Autocar.

Em entrevista com a publicação, o diretor técnico da marca, Maurizio Reggiani, afirmou que está determinado à resistir ao downsizing para o Huracan e o Aventador (e próximos modelos que vierem), mantendo firmes os motores V10 e V12 no portfólio da companhia italiana. “Todo carro tem uma missão e é baseado nesta missão que escolhemos o motor certo. Para o Urus a decisão foi por turbo, mas nós vamos continuar optando por aspiração natural para nossos superesportivos”, cravou Reggiani.

Porém, o executivo italiano admite que não dá para ignorar os novos tempos. “No futuro, nós vamos ter que considerar o consumo e as emissões. Estou convencido de que um motor aspirado em conjunto com um sistema híbrido pode ser a solução correta”, ponderou o diretor técnico. Ou seja, a notícia é boa, pois, aparentemente, vamos continuar convivendo com o ronco estridente característico dos Lamborghini por algum tempo, mas certamente as próximas gerações de esportivos da marca serão eletrificados.

A questão que surge a partir desta decisão tem a ver com o peso. Se o próximo Aventador se transformar em um híbrido plug-in, significa que haverá um volumoso aumento de peso sobre o carro, devido às baterias que alimentam o sistema. Trata-se de um desafio até para um carro feito sobre uma plataforma já bem leve de fibra de carbono. Para solucionar este problema, a Lamborghini trabalha em conjunto com o MIT, o instituto de tecnologia mais importante dos Estados Unidos, no desenvolvimento de baterias e sistemas elétricos, na esperança de encontrar algum meio termo na adição de peso aos carros (o conceito Terzo Millenio é um exemplo concreto desta parceria).

Para o Huracan, Reggiani tranquilizou os fãs, garantindo que ele continuará V10. “A reação que você tem com um motor de 10 cilindros não se consegue com nenhum outro tipo de motor. É algo que nossos consumidores amam. Por que eu preciso de algo diferente? Se eu confio no motor naturalmente aspirado, por que reduzí-lo a um V8 ou V6? Eu sou da Lamborghini, estou no topo dos superesportivos. Quero continuar onde estou”, concluiu com a confiança lá em cima.